quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Aos leitores


O COMEÇO DA JORNADA

Por Marta Silvares


É com muito prazer que apresentamos a primeira edição da Caça- histórias, a revista contada por você. Este é o resultado de um trabalho de equipe vigoroso e preciso, como devem ser as ações que têm por objetivo atender com substância de informação o nosso leitor. Contamos com a sua participação, através de cartas, enquetes e principalmente, a sua história.

Reunimos em nossas páginas aspectos quase nunca divulgados da vida da região, que pulsa em ritmo de comunidade atuante e vibrante, e que revela em seus encantos muitas das histórias que vamos contar.

Uma delas é a de uma senhora de 68 anos que madruga para puxar uma carroça emprestada e catar nas ruas o sustento diário e o alimento de um sonho.

Outra aponta para o passado e revela detalhes de um personagem que marcou época nos anos 70, um ícone homossexual chamado Dudu do Gonzaga, irreverente e que morreu por paixão.
O passado também nos leva ao crime que mais chocou o país há 80 anos, lembrado ainda hoje como o Crime da Mala, que fez da vítima, Maria Féa, herdeira de uma legião de fervorosos devotos.

Mas há mais: a rua que se tornou famosa pelas grifes; o apaixonado pela Portuguesa Santista; colecionadores de histórias e de vinil; um especialista em extraterrestres que diz que foi abduzido; o relato de quem já esteve no túnel da morte. E mais, muito mais.

É só conferir e boa leitura.

Histórias Reais

JÓIAS PRECIOSAS

Fato real contado pelo farmacêutico Paulo Ferreira

Há muitos anos atrás fiquei observando pessoas que dormiam embaixo da laje da minha farmácia onde eu era também farmacêutico. Um era o Ceará, outro o Poeta, e um outro que mais me chamava à atenção, era o Marinheiro. Ele corria atrás das crianças para brincar e elas se divertiam.

Eu ficava intrigado, pois ele falava inglês e algumas coisas eu entendia. Ele era uma mistura de meus sobrinhos, meus irmãos. Quem seria ele? Feição bonita, olhos azuis, cabelos cacheados, assim era o marinheiro.

Um dia, várias pessoas trouxeram o marinheiro na minha farmácia, todo ensangüentado, pois tinha sofrido uma agressão. Tratei dele vários dias e alguns lhe traziam comida, mas a anorexia nervosa causada pelo álcool não deixava lhe parar nada no estômago. A pergunta continuava, quem seria ele?

Ele sempre dizia que não tinha família, mas quando eu estava fazendo o último curativo, notei que ao mexer nos bolsos, havia caído um cartão entre outras coisas, onde estava escrito um nome feminino e um endereço do Rio Grande do Norte.

No outro dia, quando o encontrei, perguntei:

- Marinheiro! Quem é Maria Alves Ferreira?

Ele ficou vermelho, e, assustado disse:

- É minha mãezinha!

Depois de muita dificuldade, pois naquele tempo a comunicação era difícil, consegui falar com um colega que morava no Rio Grande do Sul e conhecia a rua que ela morava. Muito gentil, prometeu me dar o retorno com urgência. Depois de algumas horas, eu estava conversando com aquela mulher. Na conversa, perguntei se ela tinha um filho e, descrevi as características. Ela me informou que ele morrera há mais de cinco anos no mar.

Não existem páginas para eu relatar o que aconteceu depois. Foram lágrimas e mais lágrimas. Marinheiro, primeiro piloto da Marinha Mercante, foi encontrado!

Em um dia lindo, com a participação de muita gente, a mãe o recebeu no aeroporto do Rio Grande do Norte o filho que voltava.

Jóias preciosas estão jogadas nas sarjetas!

Passados vários anos, parou, em frente à farmácia um carro da marinha mercante, e eis que desce dele aquela pessoa bonita, de olhos azuis, todo trajado de branco.Era o Marinheiro.

Capa


AZEVEDO SODRÉ


A nossa Oscar Freire

Por Monique Araújo


Um passeio em plena tarde de novembro. O primeiro desafio é onde colocar o carro. É quase impossível conseguir uma vaga para estacionar na via principal ou nas paralelas. O trânsito também não dá trégua, sempre movimentado, atrapalha quem quer atravessar a rua ou simplesmente dar uma olhada nas 33 lojas com griffes e mercadorias importada. Faça sol ou chuva, a caminhada pela rua é muito agradável. Podemos contar com os estacionamentos das lojas e os manobristas, que auxiliam os clientes a encontrar um espaço para seus veículos. “O local sempre diferenciado. Uma via de acesso para o Gonzaga com belas casas e vizinhança de alto padrão. Acredito que por conta desse avanço do trânsito, os moradores foram buscando lugares mais tranqüilos e assim alugando ou vendendo os imóveis desta rua”, diz a empresária Dalila Freire.

As decorações também chamam a atenção. Os detalhes nas fachadas, as estruturas rústicas e detalhadas das edificações, os letreiros luminosos e até mesmo a ausência destes ajudam a compor o espaço. As novas construções gigantescas também ganham posição na rua. As árvores plantadas recentemente tornam o ambiente ainda mais vistoso. A coisa foi tomando uma tal proporção que o comércio atravessou a Washington Luis, dando seguimento a mais lojas.

A via Azevedo Sodré começa na rua Waldomiro Silveira, seguindo até Eloy Fernandes, formando um quadrilátero com a rua Minas Gerais. Chega a ser um shopping center a céu aberto de tantas lojas, marcas e produtos diversificados. Mas foi há três anos que este trecho ganhou reconhecimento comercial. A construção de edifícios de alto padrão e novas lojas trouxeram à Azevedo Sodré mais público. Como é o caso de Dalila Freire, uma das mais antigas freqüentadoras da rua. “Eu prefiro comprar na via do que em shoppings, pois me sinto mais livre, respirando ar puro e vendo a luz do dia. Ficou tão gostoso fazer compras por lá que é impossível você não encontrar amigos em todas as lojas e dar uma parada nas compras para bater um bom papo”. Hoje a rua é tão conhecida pela cidade, que se tornou no local ideal para as boutiques mais chiques de Santos.

Entretanto se engana quem pense que a Azevedo Sodré é muito circulada. Ainda falta aquela movimentação de pessoas atravessando de um lado para o outro da rua. “Sinto que a maioria dos clientes que passam por aqui, já vem com um destino certo. Assim não há aquela agitação de um centro comercial”, explica Welinton Magalhães, vice-presidente da Associação Vila Rica. Com tantos atributos, podemos destacar diferenças entre outros comércios? Sim, aqui podemos encontrar clientes que freqüentam a rua há anos. Eles já vêm com um caminho certo, sabendo que na sua loja de preferência irá encontrar o que procura.

Há 21 anos, Maria José saiu de Aracajú e veio para Santos. Ela é uma das pioneiras da rua e dona de um salão de beleza. “Quando cheguei na rua, só havia uns cinco comerciantes e suas lojas. Eram duas perfumarias, uma padaria, uma escola e um buffet aqui em frente. Estou há 13 anos aqui e vi muitas mudanças que colaboraram para deixar a rua com a cara de hoje. Com elas, vieram muitas lojas depois de mim”, explica Maria. Ela ainda lembra que com a expansão comercial da Azevedo Sodré, algumas das árvores foram retiradas para dar uma melhor visualização nas vitrines das lojas. Até que em 2006, o arquiteto Cesar Correa da Costa criou o projeto Plantando Vidas, que consistia em recolocar as árvores. “A rua ficou muito mais atrativa”, diz a cabeleireira.

Esta atitude agradou não só Maria José, como também Iriana Bottene, proprietária de uma boutique de moda feminina e masculina, com estilo mais casual e moderno. Ela tem a loja instalada na rua há quase cinco anos. “A plantação de árvores deu uma arborização na rua”, conta. O diferencial da rua, para Iriana, é o fato das pessoas capricharem na decoração de suas fachadas. “Aqui todos se preocupam com os detalhes, tornando a via charmosa”.

A Azevedo Sodré também é representada pelas mercadorias. Atualmente, encontramos produtos para diversas classes sociais, podendo tomar um café expresso na padaria da esquina, gastando apenas R$ 2, ou pagando mais de R$ 4 mil, em um vestido de festa, em uma das boutiques. Na Azevedo Sodré tem clínica de beleza, escritório de advocacia, perfumarias, salão de beleza, loja de calçados, lanchonetes, restaurantes, casa de material de construção, óticas, pet shop, lavanderia, agência de viagem, escola de idiomas, bancos, além das lojas de moda feminina e masculina espalhadas ao longo deste primeiro trecho da rua.

Passando de carro ou a pé, a universitária Paula Lícia sempre para em uma das lojas para ficar por dentro da coleção da estação. “Quando vejo uma rua diferente, me chama a atenção para ver as novidades, como na Azevedo Sodré. É curiosidade de ver as vitrines e estar sempre informada dos novos modelos. Mas nunca entro para saber mais. Sempre estou correndo, sem tempo. Gostaria de experimentar e conhecer o outro lado das lojas, mesmo os produtos sendo um pouco caros”.

Para manter um conjunto entre o comércio, não só da Azevedo Sodré, mas também das ruas próximas a ela, como a Minas Gerais, em 2006 foi criada uma associação do bairro, chamada Vila Rica. O arquiteto Cesar Correa da Costa e o comerciante Fábio Ballerini resolveram retomar uma idéia de 2001 de implantar um grupo comercial do bairro, que contempla este trecho. Este nome foi escolhido justamente por se tratar de uma associação de bairro, e não de uma única rua. “Estamos com um novo projeto de lixeiras, com o auxilio da prefeitura. O conceito de sofisticação que temos é grande, mas ainda precisamos adaptar alguns padrões na arquitetura para nos comparar a rua paulista Oscar Freire”, esclarece o vice-presidente da entidade.


OSCAR FREIRE

Situada no bairro dos Jardins em São Paulo, a rua Oscar Freire é o centro de compras mais sofisticado da capital. Por lá desfilam as melhores griffes do Brasil e do mundo, como a Vista Alegre, porcelana portuguesa, H. Stern jóias, o salão de beleza L’Officiel e a conhecida marca de canetas Mont Blanc. Além das famosas lojas de roupas Clube Chocolate, Lelis Blanc, Rosa Chá, Track & Field, Tommy Hilfinger, Brooksfield e muitas outras.

Para comer há várias opções de cafés e restaurantes. Mas, quem pensa que só existem espaços gastronômicos sofisticados, está enganado. Com quase 50 anos de existência a lanchonete Frevinho está sempre lotada, servindo lanches, sucos, pratos prontos e o famoso rabo de galo.

Recentemente, a Prefeitura de São Paulo deu uma repaginada na rua, alargando e padronizando as calçadas. A nova cara da Oscar Freire também contempla arborização e bancos, para maior conforto de seus freqüentadores.

Profissão


A CATADORA DE PAPELÃO

Todo dia ela faz tudo sempre igual... Parece que estes versos de Chico Buarque foram feitos sob medida para esta mulher. Mas, nem mesmo a rotina cansativa consegue derrubar a alegria e os sonhos dela. Acompanhe, nesta reportagem, a trajetória de Neuza Helena, uma vida de coragem e determinação

Por Sheila Almeida


Ainda é escuro quando a senhora alta e morena, de 68 anos acorda. Às 4h30, quando se levanta, nem os pássaros estão acordados. O cenário é estranho. As nuvens acinzentadas no céu azul escuro e o frio das manhãs, mesmo no verão, convidam a voltar para a cama. Mas às 5h30 a mulher começa a sua caminhada diária.

Todos os dias ela chega pontualmente em seu trabalho. Seu escritório é a rua e, sua cadeira, uma caixa de madeira descartada pelo Sacolão, o grande estabelecimento que recebe frutas, verduras e legumes de todo o país.

A vista de sua “sala” é para os fundos do supermercado que garante o seu principal sustento, o Krill, na Zona Noroeste, em Santos. A frente do estabelecimento é na rua principal da região, a Avenida Álvaro Guimarães. Os fundos dão para a Rua José Alberto de Luca, onde a mulher fica todos os dias.

Lá, onde a “quase funcionária” fica, pode se ler nas paredes: "Horário de recebimento das 8h às 17h". Mesmo assim, ela chega antes das 6, mais cedo do que os outros trabalhadores. Sua jornada é longa. A mulher de cabelos grisalhos e olhos castanhos só vai embora após 5 da tarde, com quase 12 horas de trabalho. Seu serviço essencial é catar papelão. Ela está ali há 10 anos. Seu nome, poucos sabem. Alguns a chamam de Maria, Irene, dona Cida ou de “veinha”, em alusão à sua idade, mas apesar de poucos pertences, nome ela tem - se chama Neuza Helena. Quando pergunto, Neuza Helena do quê, ela responde: "De nada, oras. Neuza por parte de mãe e Helena por parte de pai. Era para ser Heleno, mas fizeram errado. Depois tinha Vinel, mas desde que me separei nunca mais usei esse nome".

Puxando a carroça de madeira ela quebra o cenário frio e vazio das manhãs com o seu sorriso. Não importa quem a olhe, está sempre alegre. Assim, inicia a rotina e faz o serviço completo: não só recolhe o papelão como também lava a lixeira do mercado e varre as calçadas do Sacolão. Em troca, ganha o pãozinho do mercado e uma fruta para café da manhã, quase sempre seu único alimento do dia, já que não tem dinheiro para pagar almoço e não gosta de pedir nada a ninguém.

Neuza espera algum caminhão chegar e descarregar as mercadorias. Ela diz que gosta desse horário, perto das oito da manhã, porque tem com quem conversar e pode começa seu trabalho. Às vezes quando chega perto das 14 horas, o dono do Sacolão a deixa entrar, pegar uma maçã ou um mamão como almoço. Para beber, só a água da mangueira. A mesma mangueira que ela usa para limpar a calçada e finalizar o trabalho daquele local. Depois, não há mais nada a fazer se não levantar, recolher o papelão, levar para a carroça e sentar-se novamente. Assim é o dia todo.

No final da jornada, às vezes com o carrinho cheio, às vezes não, a mulher de papelão vai trocar o material no ferro velho, que fica na mesma rua do mercado. Pelo quilo do papelão, pagam cinco centavos, por isso ela fica feliz quando acha uma moeda na rua, por acaso. O máximo que conseguiu juntar em um dia foi um real, equivalente a vinte quilos de papelão. Como não tem carroça, o dono do ferro velho a empresta para ela: "A Neuza trabalha há bastante tempo e é uma das nossas principais clientes".

Isso também explica a mudança de temperamento quando a senhora de bochechas rosadas vê algum outro pegando o seu papelão. As poucas palavras se juntam, numa voz mais grossa como num trombone, até o “invasor” se afastar.

Como é experiente no ramo, Neuza conta que fica feliz quando chove, pois apesar de ter que correr para não se molhar, o papelão fica na chuva e, por absorver água, o material fica mais pesado e rende mais dinheiro. Porém, se chover muito e tudo ficar encharcado, o dono do ferro velho prefere não comprar. A mulher de papelão conta que desde a primeira vez que fez esse trabalho, não ficou com vergonha: "Descobri que era melhor do que só catar o que comer, pois antes eu tinha que revirar o lixo".

Sua vida não foi só essa. Antes, o marido trabalhava e sustentava a casa. Depois que se separaram, trabalhou como doméstica por 14 anos. Sem estudo, pois repetiu a primeira série por cinco anos e só aprendeu a assinar o nome, ela não quer voltar à escola, não quer mudar de vida (a não ser que ganhasse na loteria, pois diz que começou a jogar) e já cansou de trabalhar: "Acho difícil arranjar emprego aos 68 anos".

Ela conta que já cansou de "levar o cano". Não pagavam direito e Neuza não tinha como se sustentar. De propriedade, ela só tem a casa que ganhou de herança da mãe. Nessas condições criou quatro filhos e mais três netos de uma destas filhas, que faleceu. Sônia, a filha mais nova fica com ela e ajuda a levar a carroça. As outras irmãs de Sônia trabalham em serviços domésticos.

Durante todo o tempo que passou atrás do mercado, a mulher de papelão conheceu muitas pessoas e viu muitas cenas do cotidiano, mas suas poucas palavras e sua memória fraca não conseguem lembrar nem explicar nenhuma dessas passagens. Durante o tempo que fica lá, aprendeu a ler umas palavras, não por junção das letras, mas por memorização, pois fica muito tempo sozinha, sem ter para onde olhar.

Quando não tem o que fazer nem com quem falar, reza. Desse jeito diz estar feliz, pois consegue viver sem mendigar: “Tudo o que tenho é de doação, as roupas, os móveis, o fogão, o colchão, e assim levo a vida. Não peço nada, as pessoas chegam aqui e me dão, aqui vou me fazendo”.

As roupas que eram doadas, agora a mulher de papelão vai comprar com o próprio dinheiro. Isso porque este mês conseguiu a primeira aposentadoria por idade: "Agora ganho um salário mínimo, quem diria".

Mesmo assim, com dinheiro certo todo mês, Neuza não abandonou a jornada: “Vivi aqui e não sei fazer outra coisa. Se eu parar, vou ficar triste, sozinha”. Sua maior vontade, a qual ela diz que está próxima a se realizar com o dinheiro que ganha, é viajar: “Não posso morrer sem antes ir para a Bahia, em Salvador, mesmo sem nenhum parente lá”.

Este é o sonho que faz brilhar seus olhos. E após tanto papelão, Neuza vê o dia morrer e com o sol desaparecendo, vai embora com a filha puxando a carroça, recomeçar mais um dia.

Polêmica


O ESPECIALISTA EM EXTRATERRESTES


Morador de São Vicente acredita que há vida em outros planetas. Conta que já foi abduzido por um disco voador e manteve relação sexual com uma etéia

Por Douglas Luan


Quem passa pela movimentada Rua XV de Novembro, no Centro de São Vicente, quase não nota a casa 370. Mas repara em um adereço na fachada: um disco voador. Feito com alumínio, garrafa plástica e potes de gelatina, ele está pendurado em cima da entrada da casa.

No portão estão coladas várias reportagens. O tema delas? Objetos Voadores Não Identificados (ÓVNIS). Mais que o disco voador, são as matérias que atraem a atenção de dezenas de curiosos. Todos querem saber sobre o tema - os extraterrestres fascinam e intrigam os seres humanos.

Mas quem será que vive neste local? Esta também é a pergunta que muitos fazem, mas poucos têm coragem de bater palmas ou chamar o morador. Um misto de medo e vergonha intimida os curiosos. Mas o assunto desperta a atenção. Será que existe vida fora do planeta Terra? Talvez neste lugar exista a explicação.

A casa é um espaço criado para estudar, especificamente, a os extraterrestres. Nela vive Luciano Pera Houlmont, que há 33 anos comanda a Unidade de Ufologia de São Vicente, uma das únicas do gênero no estado. A paixão deste senhor pelo assunto é marcada por casos interessantes, em que, segundo ele, viveu a misteriosa experiência de ser abduzido.

A conversa com Houlmont começa com um alerta. “Aproveite para falar comigo enquanto não sou preso!”. Segundo ele, a Nasa (sigla da agência espacial norte-americana) já sabe de suas descobertas. “Eles não querem divulgar. Escondem isso de todo mundo há muito tempo. Não querem reconhecer o fato de existir vida em outros lugares e eles não terem descoberto”.

Houlmont é simpático e falante. Filho de um belga com uma brasileira, nasceu e foi criado em Lins, cidade do interior de São Paulo. Foi lá que começou a se interessar pelo assunto. “Sempre ouvi casos de extraterrestres que passavam pelas plantações. Mas na época (década de 1960), não tínhamos rádio, televisão nem telefone. Por isso era difícil pesquisar”.

Até que um dia, enquanto estava no trabalho, com apenas 18 anos, garante ter visto pela primeira vez o que todo mundo sempre falava. “Eu era escriturário e, durante o café do pessoal, todos começaram a apontar para o céu. Eles foram para janela ver o que era e eu larguei tudo e também fui matar minha curiosidade”. Era um disco em forma de prato, todo perolado e enorme. “Fiquei fascinado. Ele ia e voltava a todo instante. Era enorme, devia ter uns 30 metros de largura”.

Depois deste acontecimento, Houlmont decidiu estudar sobre o assunto que tanto o fascinava. “Comecei a conversar mais com as pessoas e buscar livros e reportagens”. Junto com isso, ele ingressou na carreira militar e foi em uma de suas idas para o quartel que aconteceu o primeiro contato, de fato.

“Saía de casa às 5 da manhã de bicicleta, pois tinha de chegar às 7 no quartel. Para isso cruzava uma avenida de três quilômetros que era cercada de um mato alto. Certo dia estranhei, pois não havia som de grilo, de sapo ou de cachorro. Daí senti uma força muito grande nas pernas que me fez parar e, quando olhei para trás havia uma enorme pirâmide negra. Tentei correr mas não consegui fiquei congelado, perdi os sentidos”.

Quando conseguiu sair olhou para o relógio e viu que estava parado. “Naquele momento fui abduzido”. Logo após recuperar os sentidos, diz se lembrar do que tinha acontecido. “Eles me seguraram, levaram para uma espécie de maca metálica e me despiram. Logo depois vi uma etéia (ET fêmea) do tipo Beta, nua. Me passaram uma espécie de pasta marrom e fétida e fiquei excitado”. Naquele momento, diz ter mantido uma relação sexual com a etéia. “Eles queriam tirar uma cópia genética”.

Depois que isso aconteceu, Luciano passou a estudar cada vez mais sobre o assunto. “Mas todos agiam com ceticismo, era sozinho”. Ao ser dispensado do serviço militar, começou a cursar Ciências Biológicas em Lins. “Estudava mitocôndrias, seres pequenos. Para isso sempre usava binóculos. Isso me fez apurar a visão e, assim, consigo analisar fotos e acontecimentos”.

Em 1972 saiu do interior e veio para Baixada Santista acompanhar a família. Mesmo mudando de lugar, continuou com a fascinante busca pela vida dos ETs. Aproveitou e fez pós-graduação em Biologia Marinha na Universidade Católica de Santos. Tudo para aperfeiçoar as pesquisas.

Enquanto as pessoas o chamam de louco, ele sempre contou com o apoio da família. “Sempre fui estudioso, o que faço é sério”. Para quem o critica ele responde de maneira ríspida. “Aqueles que me chamam de louco são como gado no rebanho: ninguém se desgruda, todos pensam da mesma forma. Ninguém abre a cabeça”. Ainda sobre a família, Houlmont nunca foi casado nem tem filhos. “Me casei com a pesquisa”. Nos últimos 40 anos, ele passa, no mínimo, 6 horas analisando fotos. ”E é em São Vicente que está a maior parte das minhas pesquisas”.

Recentemente, diversos casos vêm intrigando os moradores da Baixada. Quase toda semana, a mídia divulga uma matéria com alguém que viu uma luz forte, colorida, piscante ou algo parecido. E ele sempre dá entrevistas com análises profundas. “Em todo lugar, seja em Lins ou em Santos, a incidência é igual. O que muda é a percepção das pessoas”. Para ele, a população da Baixada Santista é mais atenta que a do interior.

E casos e mais casos chegam para o professor estudar. De várias cidades sempre surgem pessoas querendo saber o que é aquele ponto colorido na foto ou aquele ser estranho no vídeo. “Faço de maneira gratuita, para ajudar na pesquisa“. Houlmont é professor do Estado, mas está licenciado devido a problemas de saúde. Alguns casos que ele estudou ficaram marcados.

“Pessoas de uma empreiteira em Cubatão que trabalhavam no manguezal viram um objeto estranho, tiraram fotos e correram. Um disco voador explodiu em Ubatuba e até hoje recolhem os pedaços. Um professor de Santos manteve contato com um ET e marcou um encontro com ele na praia. Pena que divulgou para todo mundo e fizeram uma festa. Resultado: ele não foi”.
A maior batalha de Houlmont, segundo ele, é contra a Nasa, que ele disse que queria prendê-lo. “São os homens de preto, que não querem divulgar o que sabem. As coisas que estudo e falo aqui já são do conhecimento deles. E eles não querem saber”.

Depois das diversas pesquisas, o professor chegou à definição que existem quatro tipos de ETs: ômega (voa numa asa alienígena), Alfa (anão e musculoso), o marciano (olhos grandes e cabeçudo que vive no deserto de Marte) e os mais parecidos com o ser humano, os Betas-Chefes. “Cheguei a tudo isso com muita pesquisa, muito trabalho”.

Houlmont chegou à outra conclusão. “Os extraterrestres, exceto os marcianos vivem no interior da terra”. Como ele sabe disso? Graças à pesquisa. “Só é preciso estudar um pouco de física. Eles vivem há bilhões de anos lá e são bem mais desenvolvidos que nós, humanos. O interior da terra é oco e eles vivem lá. Quando precisam, saem de lá sem ninguém perceber, graças à força antigravitacional”. Segundo ele, por esta força os ETs ficam invisíveis a olho nu.

Depois de 33 anos de trabalho, ele se denomina um dos maiores especialistas a respeito do assunto. Definir um ET para ele parece ser a coisa mais fácil do mundo. “Um ser científico, técnico, puro em suas intenções, sem doenças e que demonstra estar mais preocupado que o homem por conhecer diferentes tipos de vida”. E agora, você acredita?

No tom



O BOLACHA

Ele coleciona discos de vinil e no embalo de raridades garante que vale a pena preservá-los

Por Diana Lima


Aos 51 anos, Silvio Campos esbanja a felicidade do sucesso que obteve com o que poderia ser resumido a uma brincadeira de criança. Se muitos guardam tampinhas, moedas e selos, ele resolveu apostar na coleção de discos de vinil. Hoje, tem duas profissões — a de corretor de imóveis e um pequeno negócio com compra, troca e venda de discos.

Ele assumiu o hobby de colecionador como atividade profissional há 22 anos. Primeiro abriu uma loja, na Avenida Epitácio Pessoa, em Santos. Ali, vendia discos raros. Recentemente, fechou a loja e abriu uma virtual (www.teiacultural.blogspot.com).

Campos se diverte ao contar que muita gente diz que por se manter fiel ao vinil ele parou no tempo. Hoje, é obrigado a dividir a sua coleção de aproximadamente sete mil LPs numa estante na sala e a outra parte em seu quarto. “Qualquer um pode baixar música na internet e sair por aí ouvindo no MP3, não é verdade? Quem é que vai ter uma estante ou construir uma prateleira só para LPs? Para isso é preciso ter muito espaço e, dependendo da coleção, muito espaço mesmo!”, diz sorrindo.

Silvio Campos curte blues, rock, jazz e trilhas sonoras dos anos 60, 70 e 80, estilos que procurou manter em sua loja. Ele também aprecia músicos populares que, na sua visão, se aproximam do erudito como Hermeto Pascoal, Charlie Parker e Frank Zappa.

UMA CENA TÍPICA DA MANHÃ DE SÁBADO

Um homem lavando o carro na porta da garagem; o cuidado com a máquina. O enceramento delicado como um afago logo me veio à mente quando perguntei sobre como cuidar do disco. “O tratamento é muito especial. É preciso tratar com carinho, colocar na estante sem empenar, limpar para preservar dos fungos e da umidade, regulagem do peso da agulha que não podem ultrapassar duas gramas...”, explica Campos.

Após o ditado da imensa lista de conservação, chegam os mandamentos mais importantes sobre os discos: “Ninguém toca além de você e nunca empreste. Tenho long plays com mais de 50 anos de idade. Não dá para emprestar”, ressalta o colecionador.

Diante de sua vasta coleção nem se quisesse ele poderia limpar todos os discos. Antes de ouvir uma boa música sempre os limpa delicadamente: “Não lavo como muitos colecionadores fazem. Prefiro passar álcool absoluto, desimgripante WD 40 (antiumidificante) e guardo três agulhas em casa para qualquer eventualidade”, diz Campos.

Esse cuidado excessivo se fundamenta no fato do vinil ser um tipo de plástico muito delicado e qualquer arranhão comprometer a qualidade sonora, a poeira pode danificar o disco e a agulha. Dentre sua extensa coleção, Silvio Campos não se desfaria, em hipótese alguma, dos seus “discos piratas” — shows ao vivo gravados apenas para colecionadores, uma gravação limitada e dos discos da banda Pink Floyd.

Aos 13 anos, ele ganhou o primeiro LP do irmão, o “Cosmos Factory”, da banda Creedence Clearwater Revival. Por sorte, este não gostava do estilo e daí em diante Campos começou a paixão pela música e muito mais intensa pelos discos de vinil. O blues, o rock e o jazz fizeram parte da trilha sonora de sua vida, principalmente as músicas que embalaram as décadas de 60 e 70. “1965 a 1975 é o ápice da música mundial”, categoriza.

Engana-se quem pensa que para quem já possui sete mil álbuns seja o bastante. Campos desmente totalmente essa hipótese. “Sonho em ter um LP do pianista Moacir Santos, mas tem que ser o ‘Coisas’, de 1965, editado nos Estados Unidos, que descobri ouvindo outros artistas”, diz. Segundo ele, esse LP vale R$ 2 mil, preço que não está disposto a desembolsar. “É um valor muito alto. Quando eu era garoto, tudo bem, dava o que fosse por um LP. Mas agora a minha mulher me mataria se eu fizesse isso”, acrescenta.

Para se manter no ramo musical, não vale apenas gostar, é preciso muita dedicação. Baseado em sua experiência, o colecionador segue um padrão de pesquisa para suprir a necessidade de seu público, analisando a ficha técnica do vinil. O valor de um vinil no mercado paralelo pode variar de R$ 2,00 a R$ 3 mil, dependendo da raridade, do artista, selo e do estado físico.

A atração para o colecionador está justamente na dificuldade de encontrar o objeto no mercado. Este se guia por fetiche, que pode ser qualquer coisa que atinja seu desejo pessoal. De acordo com Silvio Campos existem dois tipos de pessoas que movimentam o comércio dos bolachões: o que compra por impulso num dia qualquer; e o que não pode ficar sem um LP na mão e faz de tudo para consegui-lo.

“O LP é, sem dúvida, diferente, de qualquer mídia atual. Tenho clientes que procuram por capas diferentes do mesmo LP (edições de outros países e fotos distintas), um tipo específico de canal de reprodução do áudio (mono, estéreo e quadrafônico), ou pela coleção inteira de um artista. Eu me contento só com um LP do músico que gosto”, explica Campos.

Além dos fanáticos por LP, muita gente já procurou os seus serviços para fazer festas temáticas. Outros, para fazerem artesanato com os discos. Ele rejeitou de cara. “Uma vez me perguntaram se eu tinha LPs para pintar e confeccionar móbiles. Pintar uma capa de um disco do Ney Matogrosso? É um crime cultural. Mandei a pessoa ir atrás de um sebo e adquirir um LP por R$ 2,00”, recorda indignado.

Em sua loja virtual os LPs mais vendidos são o quarto álbum do Led Zeppelin; o “Machine Head”, do Deep Purple; “Thriller”, de Michael Jackson; a primeira gravação de “Detalhes”, de Roberto Carlos; o disco 1 do Clube da Esquina; “Fruto Proibido”, de Rita Lee; “Construção”, de Chico Buarque, entre outros. Os colecionadores sempre estão em contato para ficar a par das novidades. Silvio conta que possui alguns contatos e que durante as pesquisas também entra em comunidades de colecionadores para conversar sobre os títulos, os músicos, as coleções e atualmente sobre a possível volta dos LPs.

Há quem acredite que o bolachão seja a solução para acabar com a pirataria. Silvio Campos não pensa assim e tem receio a dar uma resposta: “Acho que o momento dessa discussão deveria ter sido no início anos 90. Antes de parar de vez a fabricação dos vinis aqui era necessário avaliar as conseqüências, o que não ocorreu. Hoje em dia, a pirataria domina. Nos Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão continuaram com o bolachão, diminuindo apenas a vendagem. Lá a garotada ouve cantoras como a Amy Winehouse e a Nora Jones no LP”. O disco de vinil existe há 60 anos, mas não é mais fabricado no Brasil desde 1996, isso por causa das novas tecnologias como o disco digital e o MP3.

Ao falar do bolachão, Silvio Campos se sente fascinado. A qualidade das canções de seu tempo, a criatividade das capas. O próprio tamanho do objeto de seus desejos o surpreende. “Quem inventou o LP era um gênio! Só podia ser. Imagina alguém fazer um objeto feito com a dimensão exata para caber no colo, apreciar o encarte que, às vezes, parece um tapetão e... sentir o som”.

Memória

ALÉM DOS MILAGRES

Passados 80 anos, o brutal assassinato de Maria Féa é contado de geração em geração e lembrado como o crime da mala

Por Elaine Saraiva



O cenário é o Cemitério da Filosofia no bairro do Saboó, em Santos. O dia, um domingo, 2 de novembro, Finados. Uma multidão está no local visitando, levando flores e velas para seus mortos. Entretanto, em um túmulo em especial, o cheiro e o calor das velas é mais forte. Trata-se do jazigo mais visitado e conhecido da cidade. É nele que está enterrada a mulher tida por algumas pessoas como “Santa”, Maria Mercedes Féa, personagem principal do assassinato que ficou conhecido como o Crime da Mala.

Há 80 anos, em Maria Féa foi encontrada morta dentro de uma mala que seu marido, Giuseppe Pistone, tentava embarcar para Bordeaux, na França, através do Porto de Santos. O mau cheiro do cadáver da italiana levaria à abertura da mala e ao início da investigação.

Pistone matou a esposa após descobrir que ela escrevera uma carta à sogra dois dias antes do crime, alertando-a sobre os delitos que o marido vinha cometendo. Como escrever correspondências assinando o nome de sua mãe dizendo que ia receber uma herança de 150 mil liras, deixada pelo pai. O objetivo era se associar ao tio, Francisco Pistone, dono de um armazém em São Paulo. Depois de descobrir a carta de Maria Féa, o casal discute e Guiseppe estrangula a esposa.

O jornalista José Carlos Silvares, em matéria publicada no jornal A Tribuna de 4 de outubro de 1978, conta que “enquanto Guiseppe Pistone pensava em suicidar-se, houve um grupo de portuários comentando que havia um mau cheiro e uma mancha vermelha no porão do navio. Imediatamente, é dado o alarme. A grande mala é desembarcada e aberta na presença de fiscais aduaneiros”. Dentro, é encontrado o corpo de uma mulher debaixo de roupas femininas, regadas a talco. Os joelhos foram seccionados com uma navalha para caber na mala.

Silvares lembra que o crime abalou o século XX, não apenas por seu caráter hediondo, mas também por ser inusitado para a época. Poderia ter sido o crime perfeito, o corpo na mala e o embarque no navio “ajudaram na perpetuação a partir da compaixão popular pela vítima e gerou uma devoção que é de grande importância”.

Um dos exemplos dessa compaixão é o de Marlei Augusto, de 42 anos. Ela conta que já conhecia a história de Maria Féa desde os tempos de escola. Passou a acreditar fielmente na italiana em 1986, quando uma senhora que sofria de uma séria alergia e necessitava de uma cirurgia, havia alcançado uma graça. “De lá para cá, eu, que já era devota, tornei-me ainda mais crente em Maria Féa”.

Marlei está próxima do local praticamente os 365 dias do ano. É que ela trabalha limpando campas no Cemitério do Saboó há 22 anos, e pouco depois de começar seus serviços, assumiu a campa de Maria Féa, em substituição a sua mãe, que também era devota. "Ser responsável por cuidar da morada da Maria Féa é como ser escolhida por Deus. Afinal, abrindo essa porta para mim, ela permitiu que eu pudesse criar meus sete filhos e estar até hoje trabalhando, já que são poucos os que ficam muito tempo aqui", diz Marlei.

MÍDIA
Em 2006, a comunicóloga Lilian de Jesus Assumpção de Melo, realizou uma análise da divulgação de milagreiros pela mídia impressa local, a partir do caso de Maria Féa. Lilian mostrou no texto que a “mídia influenciou a divulgação de cultos não-católicos contando histórias de forma massiva”.

Marlei relata que no programa Aqui Agora do SBT, nos anos 90, o apresentador Gil Gomes realizava episódios no Saboó, e, mais especificamente, na capela de Maria Féa. “Ele trazia modelos vestidas de noiva, para simbolizar a entrega dos vestidos de casamento, feito por devotas que recém-casaram”. E revela: “O Gil era devoto, e dos mais fervorosos!”.

Em 2 de junho de 2005, o programa Linha Direta Justiça, da Rede Globo, relatou a trágica história da italiana. “A televisão deu um bom impulso com as reportagens, pois as pessoas, muitas vezes, optam em se agarrar na fé para aliviar o desespero”, resume Marlei.

EX-VOTOS
Marlei conta que muitos gostam de manter o anonimato, como se pode notar pelas placas de agradecimento que, em sua maioria, contém apenas as iniciais do devoto. Em muitos casos a ajuda pedida é para a compra da casa própria, ou iniciar o financiamento. Esta é a situação de uma moça beirando aos 40 anos de idade, que apenas aceitou se identificar como Gláucia.

Quando os devotos têm seus pedidos atendidos, deixam pequenas casas de madeira, placas, cadernos, vestidos, bem como outros utensílios e acessórios próximos à capela de Maria Féa, os chamados ex-votos. Em seu estudo, Lilian define a expressão: “Os ex-votos são representações de objetos, geralmente usados no pagamento a graças ou milagres recebidos, referentes a personagens mitificados”.


NÃO CANONIZADA MARIA FÉA É ACLAMADA SANTA POR SEUS DEVOTOS

Em entrevista ao jornal A Tribuna, o falecido padre Antônio Olivieri aponta que a maior procura por representações como a da italiana se dão por se tratarem de vítimas de morte dramática, o que as torna “vedetes do povo”. Lilian, em seu trabalho, lembra que mesmo o culto aos milagreiros e santos não-canônicos no Brasil ainda é aceito graças ao sincretismo religioso existente.

Mesmo com toda a devoção que há em torno desta personagem, até hoje não teve início nenhum processo de canonização de Maria Féa. A informação parte do padre Caetano Rizzi responsável pelo Direito Canônico da Diocese de Santos. Para que houvesse canonização é levado em conta a história de vida de Maria Féa e estudos relacionados aos possíveis milagres realizados por intermédio dela.

No entanto, Lilian acredita que todo esse processo burocrático é desnecessário, pois o povo já aclamou Maria Féa como santa. “A mistura de credos que podem ser demonstradas nos ex-votos e manifestações populares é o que torna esta personagem ainda mais interessante”. E completa: “Os devotos buscam nela tudo aquilo que não conseguiram por outros meios. Na verdade o ex-voto valida o pedido atendido. A fé popular está acima destas disso tudo”.

No espiritismo, porém, a italiana é tida como um espírito evoluído, sendo a sua morte trágica uma forma de ajudar nessa evolução, ou simplesmente, uma maneira de resgatar algo que deixou para trás em sua reencarnação anterior.

Memória


DUDU DO GONZAGA

Ícone homossexual na Santos dos anos 70, enfrentou o preconceito e fez história pelo comportamento inusitado e extravagante

Por Miriam Borowski


Dia de sol. Lá vem ele com a esteira, o guarda-sol, a tanga rosa e chinelinhos. Ele atravessa o Gonzaga em direção ao mar. Sua paixão é a praia, onde passa horas se bronzeando, até atingir o moreno dourado. Seus olhos azuis brilham e os cabelos oxigenados e encaracolados ficam mais amarelos. Luiz Eduardo D’ Agrella Teixeira, o Dudu do Gonzaga era assim. Não escondia a sua condição de homossexual, um dos personagens mais famosos de Santos.

A caminho da praia não perdia a oportunidade de mexer com os rapazes que passavam no bonde que vinha do Tarquínio Silva. Tinha tanta fama que na estréia do filme Help, em 1965, no antigo Cine Indaiá, quando saiu do cinema uma multidão gritou ao vê-lo passar: “Dudu! Dudu! Dudu!”. Ele não perdia o rebolado e logo fazia caras e bocas, como um pop star. O pessoal batia palmas.

Hoje, declarar a opção sexual não choca mais ninguém e até mesmo faz parte da aceitação das diferenças. Mas na época em que Dudu pontificava no Gonzaga, nos 60, 70 e início dos 80, assumir a homossexualidade era algo visto como escândalo ou então como curiosidade. O irmão, Manoel Dias Teixeira Neto, diz que se ele tivesse nascido em outra época seria diferente: “O Dudu nasceu na época errada, na cidade errada. Para assumir a sua condição como ele assumiu, ele deveria viver em Londres”.

Embora fosse tratado até com carinho principalmente por quem freqüentava o Gonzaga, quando era ofendido Dudu não deixava por menos. Respondia à altura, ficava nervoso. Mesmo assim, nunca se meteu em grandes confusões. Mas uma vez, por causa de um desentendimento, foi parar na delegacia. Quando a mãe, Maria Isabel D’ Agrella, soube foi logo buscá-lo. Chegando lá, perguntou:

— Onde está Luiz Eduardo?

— Aqui não tem nenhum Luiz Eduardo.

— Não brinca comigo! Eu sei que ele está aqui e quero vê-lo agora!

Maria Isabel não se envergonhava do filho. Diz que o aceitava como ele era e o defendia com unhas e dentes se fosse preciso. Quando ele estava com 14 anos de idade, percebeu a tendência do filho. Ela conta que resolveu levá-lo a São Paulo para uma consulta. O médico constatou que Dudu era normal e disse:

— Entre muitas outras mães você foi escolhida para ter um filho especial. Ele não tem nada, é perfeito.

Saiu dali com a certeza de que seu filho era muito querido e amado. Com o tempo, o tio o levou a uma casa de mulheres para ver como ele reagia. Lá também comprovou que ele era normal, mas a sua opção sexual era mais forte.

Mesmo com as dificuldades e o preconceito que imperavam na época, a família vivia normalmente. Com exceção do pai, Manoel Teixeira, que não agüentou a pressão e saiu de casa para morar em São Paulo. Mas, não abandonou os três filhos, incluindo a caçula Maria Luiza.

Seu irmão Manoel Neto é conhecido até hoje por Peti, apelido que ganhou do próprio Dudu quando tinha 2 anos de idade. Conta Maria Isabel:

— Eu chamava o Manoel de Netinho. O Dudu não entendia e o chamava de Peti. Fiz várias tentativas para que Dudu o chamasse de Netinho, mas não consegui e o apelido pegou.

O preconceito contra Dudu acabou sobrando também para Peti. Isso o impedia, às vezes, de arrumar namorada.

— Muitas vezes eu me aproximava de uma garota, e ela sabendo que eu era irmão do Dudu não se interessava.

Dudu era muito inteligente, embora só tenha estudado até o ensino médio de hoje. Trabalhava em salões de beleza e em casa de shows. Gostava de freqüentar bares. Acabou se envolvendo com um policial militar. Depois de um tempo de relacionamento o romance acabou. O policial se casou e foi morar e trabalhar em São Sebastião. Dudu não conseguiu ficar longe daquela paixão e foi morar na mesma cidade. Logo conseguiu trabalho numa boate. Com a presença dele na cidade, não demorou muito para descobrirem o romance do passado. Os comentários acabaram incomodando o policial que, por se sentir ameaçado, acabou dando três tiros em Dudu, atingindo o pescoço e a cabeça. Ele foi levado ainda com vida para o Hospital das Clínicas de São Sebastião, foi operado, mas não resistiu e morreu no dia 6 de novembro de 1982, aos 35 anos.

Sua morte comoveu até mesmo aqueles que não o conheciam. Seu sepultamento foi em Santos, onde antes de pensar que um dia pudesse morrer dessa maneira, tinha feito um pedido aos parentes. Quando morresse queria que seu caixão passasse pela Avenida Ana Costa de ponta a ponta. E foi isso que fizeram. Seu cortejo passou pela praia onde mais gostava de ficar, fez a volta na Praça da Independência e depois seguiu a avenida até o cemitério Paquetá. Seu funeral atraiu muita gente. Para Maria Isabel, ele morreu pela sua bondade:

— Era um filho maravilhoso, carinhoso, meu companheiro e amigo, me faz muita falta.

Lendas Urbanas




APONTAMENTOS DO PROFESSOR ALVARENGA:O PESCADOR MACABRO

Condomínio de luxo no Guarujá é assombrado por fantasmas que lá habitaram. Uma ex-moradora conta que vendeu a casa por medo da aparição freqüente de pessoas que não estão mais neste mundo

Por Gabriella Leutz


Praia de Pernambuco, Guarujá. Conhecido por abrigar um dos condomínios mais luxuosos da cidade, o Jardim Acapulco, onde dezenas de famosos e milionários possuem grandiosas mansões, tais como o jornalista José Luiz Datena e o apresentador Gugu Liberato. O local esconde uma aterrorizante e sombria história. Trata-se da lenda do Pescador Macabro.


Tudo começou no fim do século 19, onde hoje fica o condomínio. Em 1862, o pescador José Antonio Teixeira da Silveira, de 47 anos, morava com a esposa e a filha em um sítio deixado de herança por seu pai. Era uma terra promissora, cercada de muito verde, com uma praia serena e límpida.


A FAMÍLIA

Teixeira era tradicional na região. Sempre no último dia de cada mês realizava uma grande festa para toda a vizinhança. “Era um grande marco essa festa. Os amigos e vizinhos participavam e o pescador adorava esses momentos”, conta Sérgio Guedes Alvarenga, professor de história e pesquisador.

Como o forte de José Teixeira era a pesca, ele saía em busca de peixes toda a semana e ficava mais de 15 dias longe da família. Foi no retorno de uma dessas pescarias que José Teixeira recebeu a terrível notícia do falecimento de sua esposa: “Ele foi informado que a esposa havia falecido havia três dias, vítima de uma parada cardíaca, e que seu corpo fora enterrado ali mesmo, na terra de seu sítio, por desejo de sua filha, a jovem Sofia, de 17 anos”, explica o professor.

Estarrecido com a morte da mulher, o pescador passou a ser uma pessoa agressiva, irreconhecível. Teixeira começara então a culpar a filha e os vizinhos pela morte de sua amada, criando um clima de tensão e inimizade. “Dois meses depois Teixeira mergulhou em um mar de ódio e frieza. Se tornou um assassino. Começou a sofrer danos psicológicos que teriam sido motivados pelas aparições de sua esposa”, conta Alvarenga.

De acordo com o professor a esposa de Teixeira era religiosa. As “aparições” estariam ocorrendo porque o seu corpo não fora enterrado em terra cristã: “Seu espírito não descansaria enquanto seu corpo não fosse enterrado em solo católico e aí estaria a explicação para as aparições fantasmagóricas”. Certa noite o pescador ateou fogo na filha enquanto ela dormia. Depois envenenou o gado e os outros animais do sítio. E desapareceu.

Boatos soam que depois de muitos anos, Teixeira fora visto de madrugada andando pela praia, outros dizem terem visto o pescador saindo com o barco em um dia de frio e chuva, desaparecendo entre as ondas.


MORADORES COMEÇAM A VER FANTASMAS

O condomínio Jardim Acapulco foi lançado em 1982. Mas foi no dia 21 de março de 1993 que o primeiro fato atormentador ocorreu ali. Segundo o professor, Sebastiana do Carmo Silva, hoje 74 anos, era empregada doméstica em uma das luxuosas mansões quando afirma ter visto coisas estranhas naquela noite: “Meus patrões tinham acabado de sair e eu fiquei limpando a casa. Eram quase dez da noite quando ouvi cinco batidas na porta da sala. Andei até a porta e a abri, e foi aí que levei um baita susto”, conta.

Sebastiana diz que ao abrir a imensa porta estilo colonial, um homem todo sujo e com roupas rasgadas lhe fez a seguinte pergunta: “A senhora sabe onde era minha casa? Sei que era por aqui”. Sebastiana disse que sentiu um mal-súbito antes mesmo de o homem terminar a pergunta: “Assim que aquele homem com cheiro de maresia começou a falar, senti que minhas pernas amoleceram e meu coração acelerou. Ele não me olhava nos olhos, apenas para baixo. Um grande frio me gelou a espinha e eu caí”.

“Acordei nos braços do segurança, que me perguntou o que havia acontecido. Eu contei a ele e, pelo rádio, foi acionada toda a ronda do Jardim Acapulco para tentar achar o homem. Mas eu já sabia que não se tratava de um homem de carne e osso”, conta Sebastiana.

12 DE DEZEMBRO DE 1997

Um dos vigias noturnos do Jardim Acapulco, José Aparecido Brandão de Lima, de 58 anos, conta que, em uma de suas rondas, perseguiu uma mulher por mais de 20 minutos entre as ruas e a mata fechada do local: “Ela surgiu na Avenida seis, dentro do condomínio. Usava um vestido longo, branco, estava descalça e de cabelos soltos. Assim que eu a vi, acelerei a moto atrás dela, mas o que me chamava à atenção era a maneira como a mulher desaparecia por entre as ruas e avenidas. Chamei reforço pelo rádio e eram mais de 15 guardas percorrendo toda a extensão particular, sem encontrar nada”, conta Lima, que ainda trabalha no residencial.

O vigia conta que em fevereiro de 1998, a mesma mulher foi vista por ele e por outro amigo, perambulando às três da madrugada, próximo ao parque infantil: “Estávamos de moto, um ao lado do outro, quando meu colega viu a mulher. Assim que olhei, percebi que era a mesma daquele dia. Não pensei duas e fui atrás e percebi que ela sumiu nos fundos do condomínio, onde existe um pequeno rio cercado por mata virgem”.


19 DE JANEIRO DE 2003

O jardineiro Augusto dos Santos Moreira, de 44 anos, trabalhava podando as árvores do Jardim Acapulco. “Eu estava próximo ao rio Acapulquinho, quando ouvi uma mulher chorando. O som vinha do rio. Andei até lá e olhei para baixo. Uma mulher de vestido branco e cabelos compridos, cacheados, estava nadando e chorava muito. Passei um rádio imediatamente para a segurança e comuniquei sobre o ocorrido, sem desgrudar os olhos por um segundo da mulher. Senti que meus joelhos bateram no chão e só fui acordar dentro da sala da administração, com várias pessoas me abanando. Tenho certeza que era um fantasma. Esse condomínio precisa ser exorcizado”.


24 DE JULHO DE 2005 E A CASA VENDIDA

A empresária Marta da Cunha Santana, de 42 anos, chegou a vender sua mansão por um preço bem abaixo do desejado devido à aparições de fantasmas em sua casa. Marta conta: “eu estava sentada na sala quando vi uma pessoa sentada em uma das cadeiras que ficava em volta de minha piscina. Levantei calmamente de meu sofá, liguei para o ramal da segurança e avisei sobre o fato. Cheguei mais próxima à janela de vidro e fiquei olhando a pessoa lá fora. Era um homem todo sujo, de bermuda e camisa. Ele estava ali, parado, olhando para os fundos de minha casa e de costas para mim. Assim que os seguranças chegaram, pularam o muro de minha casa, pelos fundos”.

A empresaria diz que o homem desapareceu em uma espécie de névoa branca: “Nunca que eu ia acreditar em fantasmas. Eu só acreditava naquilo que meus olhos vissem e, a partir desse dia, passei a crer”.

Depois daquele dia, ela passou a ter pesadelos horríveis durante a noite com um casal que lhe pedia a casa de volta: “Não conseguia mais dormir. Todas as noites, em algum momento de meu sono, um casal de época aparecia me dizendo que devolvesse o que um dia foi deles. Fui investigar sobre a história do Jardim Acapulco, procurei por um historiador confiável e acabei descobrindo essa lenda do Pescador Macabro. Podem me chamar de doida, mas vendi minha antiga casa e comprei outra, um pouco menor, em outro condomínio da cidade. Meus pesadelos acabaram e nunca mais vi nada de estranho”.

O professor Alvarenga vem estudando as histórias do Jardim Acapulco desde 1991 e já descobriu fatos que podem explicar as assombrações no condomínio. Uma delas é a de que a mulher do pescador Jose Teixeira foi enterrada onde é hoje o parque infantil e que sua casa ficava onde hoje é a antiga mansão de Marta, a empresária: “Pelos arquivos que tenho de época e o mapa do condomínio, a esposa do pescador Teixeira foi enterrada no parque das crianças. Onde é a antiga mansão de Marta é exatamente onde ficava a casa da família e, seguindo as fotos e localizações, onde é hoje a piscina, era o quarto onde Sofia foi queimada viva pelo pai”.

Em sua opinião, os fantasmas da família Teixeira continuarão a assombrar o local, até que suas missões de paz e descanso eterno sejam cumpridas. E atenta para uma curiosidade: “Eu acredito, sim, nessas histórias e todos os dados e arquivos comprovam a existência da lenda. Mas ela ainda não acabou. O corpo da esposa do pescador jamais foi desenterrado e levado a um cemitério. O espaço onde era o sítio e a casa continua habitado”.

Crônica


A ETERNA CRISE BRASILEIRA

Por Marta Silvares


Outro dia eu estava sentada em frente à tv, com o controle remoto nas mãos, pulando de canal em canal. Eu buscava os noticiários que só falavam de um assunto: crise. Essa que começou nos Estados Unidos, atingiu a Europa e ameaça respingar em países como o nosso, pobres ou emergentes.

Lembrei de uma conversa que tive com uma amiga, que emigrou há 13 anos para a terra do Tio Sam, levando debaixo do braço o filho de 10. Ela não foi embora do Brasil tentando fugir de uma crise. Queria uma chance de proporcionar uma vida melhor para os dois.

Chegando lá, fez tudo que um brasileiro clandestino pode fazer, faxina, tomar conta de crianças, mandar mercadorias para o Brasil por debaixo do pano e, claro, fugir dos agentes de imigração. Enfim, fez coisas que normalmente não faria por aqui.

Até que um dia começou a fornecer comida congelada para os brasileiros da Fórmula Indy. Deu certo. Desde então, ela montou um buffet que atende até grandes empresas. Aprendeu muito sobre o modo de vida dos americanos.

Passados sete anos, conquistaram o green card e há poucos meses, ela e o filho juraram fidelidade à bandeira americana. Ambos votaram no Obama para presidente.

Ela acha graça quando fala da crise norte-americana. “Crise para eles é não pegar dinheiro no banco e não poder ir às compras com compulsão, como estão acostumados”.

Crise no Brasil é uma palavra banalizada. Aqui a maior parte da população vive eternamente nela, só que de forma bem diferente. Sem ter o básico, o povo vai dando nó em pingo d’água para sobreviver. Na vida profissional, as pessoas vão do céu ao inferno e vice-versa, numa velocidade fantástica.

O que eles chamam de crise nos Estados Unidos, de forma alguma remete aos constantes sufocos que passam os brasileiros.

No final da conversa, ela me faz uma pergunta bem tupiniquim e que fica no ar.
“Isso é crise para quem, cara pálida”?

Variedade


HORÓSCOPO PARA NOVEMBRO DE 2008

Por Armando Akio


ESCORPIÃO - de 23/10 a 21/11

Você sentirá que se renovam as forças interiores, especialmente a partir do aniversário. Desenvolva iniciativas transformadoras, que representem novos começos. A ousadia será a marca registrada, sobretudo nas três primeiras semanas do mês, mas tenha olhos de águia para perceber o alcance e as conseqüências das suas ações e atitudes. Dê atenção muito firme no que diz respeito a finanças. Não gaste em excesso, saiba se controlar. Vivenciará momentos extraordinários no contato ou convívio com pessoas que têm o que acrescentar em termos de experiências e conhecimentos. Valorize quem realmente importa, a quem vale a pena investir.

ÁRIES - de 21/3 a 20/4

Na primeira quinzena, você não se importará com os efeitos das decisões e ações. Aja e decida com responsabilidade, ainda que se sinta capaz de arrojos assombrosos. Cuidado com mudanças inesperadas ou impetuosas, que podem dar resultados não agradáveis. Na segunda quinzena, você se sentirá em condições de expandir os horizontes, em busca de novidades. O otimismo tomará conta de você, que buscará também idéias renovadoras, contatos com pessoas distantes.

TOURO
- de 21/4 a 20/5

Você estará mais sensual, à procura de horizontes que abram a mente e o coração, na primeira quinzena do mês. Viverá com mais intensidade as experiências que a vida colocar à sua frente. Na segunda quinzena, a responsabilidade baterá à porta. Você também poderá se concentrar mais nas questões profissionais, até em detrimento das afetivas. Compreenda que deve sempre deixar espaço para o amor, por mais que tenha exigências decorrentes do trabalho e dos objetivos que pretende alcançar.

GÊMEOS - de 21/5 a 206/6

Você poderá obter ganhos interessantes, devido a parcerias ou associações. Contatos com o exterior ou estrangeiros poderão render bons frutos. Compreenda que pode e deve tirar proveito de situações favoráveis para os seus interesses, naturalmente dentro dos limites da ética e da lei. Você buscará a renovação, e terá boas chances de sucesso, especialmente em iniciativas corajosas. Expresse o que tem a dizer de modo diplomático, levando em consideração as conseqüências.

CÂNCER - de 21/6 a 21/7

Você poderá estabelecer um diálogo maduro e consciente com a pessoa que tanto ama, a quem dedica toda a energia que tem no coração. Parcerias sólidas podem alavancar projetos. Dê os passos necessários para realizar as suas aspirações. Compreenda que sonhar é importante, mas concretizar é o coroamento. Não deixe a preguiça tomar conta. Trabalhe, aja de modo árduo e persistente. Insistir é essencial para fazer com que amadureçam as propostas que tem em mente.

LEÃO - de 22/7 a 22/8

Você se aprofundará ainda mais nos fundamentos que considera vitais para o sucesso dos seus empreendimentos. Verá também com mais clareza o que precisa ser feito para fincar alicerces importantes na sua vida. Vai se interessar mais pelos assuntos familiares, mas buscando renová-los, transformá-los. Sentirá necessidade voltar ao passado, mas não permita que rancores nem mágoas tomem conta do coração. Deixe a generosidade atuar, que terá resultados extraordinários.

VIRGEM - de 23/8 a 22/9

Reciclará idéias à procura de percepções, propostas ou idéias renovadoras, que transformem o ambiente ao redor. Gostará de intensificar o contato ou convívio com pessoas próximas. Você viverá momentos extraordinários na companhia de irmãos ou de gente que considera como tais. Esteja consciente do potencial que tem em mãos, explore-o com entusiasmo e potência. Desejará fazer intercâmbios transformadores, para renovar a mente, para descobrir novos caminhos.

LIBRA– de 22/9 a 22/10

Na primeira quinzena, sentirá imensa vontade de viajar, de trocar idéias com pessoas distantes, que podem trazer novas luzes. Pode se ligar em assuntos mais românticos ou afetivos, em busca de respostas esclarecedoras, que abram o coração. Na segunda quinzena, vai se ligar mais nas questões familiares, até à procura de respostas para o seu passado, para as suas origens. Poderá desenvolver em casa projetos profissionais ou que visem à ascensão social e no ambiente de trabalho.

SAGITÁRIO - de 22/11 a 21/12

Você sentirá que tem mais e muito amor para dar, na primeira quinzena. Expandirá as possibilidades, expressando os belos e generosos sentimentos que tem no coração. Deixe a vida guiar os passos, que terá retornos maravilhosos. Na segunda quinzena, você buscará obter resultados financeiros ou concretos. Poderá até sacrificar o lado afetivo para que os efeitos sejam realizadores. Alimente-se bem, por mais que entenda que deve perder peso: não perca a saúde.

CAPRICÓRNIO - de 22/12 a 20/1

Você expandirá os horizontes à procura de respostas concretas e reais. Pode até fazer viagens com o objetivo de esclarecer as suas dúvidas. Compreenda que o momento é de agir com solidez e suficiência, para que os resultados sejam os melhores possíveis. Gostará de fazer intercâmbio com pessoas ligadas em assuntos superiores. Também se ligará em troca de idéias com pessoas no exterior ou estrangeiros. Esteja consciente de todo o seu potencial e realize-o com vigor e entusiasmo.

AQUÁRIO - de 21/1 a 19/2

Você tem que ligar nos gastos. Não faça compras ou despesas inesperadas, por impulso. Avalie, pese, pense, analise muito antes de tomar a decisão de tirar dinheiro do bolso. Alimente-se de modo adequado, sempre buscando um balanceamento. Se enfrentar uma crise de valores, faça uma profunda reflexão, para perceber o que é essencial e prioritário e o que é secundário. Tome as rédeas da sua vida. Não deixe que os outros tomem decisões que cabem a você.

PEIXES - de 20/2 a 20/3

Compreenda que adversários devem ser percebidos e respeitados. Ignorá-los não é atitude sábia. Utilize a força dos inimigos para alavancar a sua arrancada rumo ao topo. Melhore o relacionamento com as pessoas, em especial com as que são importantes na sua existência. Perceba que deve manter as coisas no eixo. Concentre-se com vigor e consciência no ponto focal, que é essencial, central.

Observação: As datas de início e fim de cada signo solar são aproximadas e estão sujeitas a variações de um a dois dias – não devem ser tomadas como absolutas.

Esporte


MALUCO BELEZA


Conheça a história de um carioca que trocou a camisa do Flamengo pela da Portuguesinha Santista. Inconformado com a falta de prestígio do time, Aguinaldo Pereira Costa é dono do maior acervo de memórias do clube e sonha em conquistar mais torcedores

Por Lincoln Chaves



Em um corpo bastante esguio e um pouco enrugado — reflexo dos 45 anos já vividos e que chegarão a 46 em 12 de dezembro — chama a atenção em Aguinaldo Pereira Costa um boné cujo tamanho da aba era desproporcional à sua magra estrutura física, de tão longa que era. Mas não era essa a principal razão pela qual o acessório era marcante, e sim a estampa: um símbolo verde e vermelho, com a palavra “Briosa” logo abaixo. Sem muitos sorrisos, mas com animação na fala, quase uma metralhadora de palavras, ele retira o boné e aponta, orgulhoso, para o emblema que, há 16 anos, fez seu coração, então flamenguista, ser pintado com as cores lusitanas da tradicional Portuguesa Santista.

Neno, como é conhecido, trabalha em uma loja situada logo em frente à Universidade Santa Cecília, na Rua Lobo Viana. Lá há muitas camisas de clubes blusas na vitrine. Nenhuma, no entanto, nas cores vermelha e verde da Portuguesa. Ele aponta para a vitrine e pergunta: “Você vê alguma camisa da Portuguesa lá? Pois é, nem eu. E não vejo em nenhum outro lugar. Como pode ter torcedor se não há nenhum material esportivo à disposição das pessoas?”.

Mais uma vez, retira seu boné e conta que aquele acessório foi resultado de um esforço pessoal. “Assumi a responsabilidade e mandei fazer 120 desses, para ver se conseguia levar esse material para outras pessoas, espalhar a Portuguesa pela cidade”. Fundada há 91 anos, a Portuguesa Santista é um dos times mais tradicionais de São Paulo.

Além do amor pela Portuguesa, apenas o cantor Raul Seixas, de cujo fã clube oficial Neno faz parte, é capaz de ocupar o coração deste carioca, nascido no bairro da Madureira. Ainda assim, é a Briosa que ocupa a maior parte de seu tempo, e, acredite, levou-o a conhecer o que é hoje seu ganha-pão: o design de sites.

Há apenas dois anos foi ao ar o www.portuguesasantista.net. O visual inicial não era dos mais evoluídos, mas suficiente para reativar o espaço da equipe na rede, perdido meses antes por falta de pagamento e de assunto. Neno admite que não sabia nada sobre webdesign. “Li sobre o assunto, gastei horas para descobrir como poderia fazer um site simples, mas útil ao torcedor”.

Hoje, desenvolve o site da loja esportiva Pepino. Apesar de ser formado em Administração de Empresas adotou a nova especialidade como profissão.


TROCA DE CAMISA

Na adolescência, Aguinaldo era rubro-negro de carteirinha e presença cativa no Maracanã. Época também em que adotou como hobby jogar na loteria esportiva e quando, admite, pegou raiva da Briosa. “A fase do time era bem ruim naqueles anos 70, e sempre perdia pontos por causa da Portuguesa. Dizia que nunca torceria por um time daqueles”, declarou, mostrando não ser um profeta muito confiável.

Com os estudos concluídos e sem emprego, Neno mudou-se para São Paulo e em 1986 foi trabalhar na parte administrativa da Coca-Cola. Depois desse tempo, trabalhou por 10 anos na lanchonete Bob’s. Foi nesse tempo que a Briosa entrou em sua vida. Para sempre.

A relação, anteriormente de ódio, começaria a mudar em 1992. Em uma folga, acompanhou o jogo entre Portuguesa de Desportos e Portuguesa Santista, no Canindé. O apertado empate em 2 a 2 surpreendeu o carioca, que, estupefato, exclamou: “Que time encardido esse time de Santos!”. A curiosidade o empolgou, fazendo com que desafiasse os quase 70 quilômetros da Capital ao Litoral para assistir aos jogos da Briosa.

Uma paixão O relacionamento com a equipe se estreitaria em 1997, quando veio trabalhar na Edesp, empresa de listas telefônicas, em Santos. A partir dali, acompanhar o time se tornou uma paixão que nunca foi abalada, nem mesmo por mulheres! Apesar de hoje estar namorando, não encontra problemas para dar atenção a seu amor futebolístico.

Seu alto poder de persuasão fez com que dois amigos, antes torcedores de Santos e São Paulo, adotassem a Lusinha como time do coração. Apesar de convincente, ele revela que apenas cerca de 20 torcedores comparecem sempre aos jogos.

Nas arquibancadas empoeiradas do Ulrico Mursa, Aguinaldo suspira, observando, no gramado, um jogo de colegas que alugaram o campo — uma das formas de sobrevivência do clube nos dias de hoje. “Os novos diretores são pessoas corretas, mas nada informados sobre futebol. Por isso que já estamos na metade de novembro e, até agora, nada de jogador”.

Polêmico, relembra discussões com ex-treinadores, ex-jogadores e empresários. De maneira descontrolada, sem pausas, denuncia jogadores que, segundo ele, entregaram jogos a outras equipes, e que “sairam de campo rindo, sendo que, por causa deles, fomos rebaixados”, em alusão a 2006, quando a Briosa deixou a elite paulista.


A COLEÇÃO

E foi justamente em um desses seus momentos de fúria que Aguinaldo deu o pontapé inicial a sua grande fixação: o acervo de jornais, recortes, camisetas e acessórios — o maior do Brasil — referente à Portuguesa Santista. Era 2003, e a Rubro-Verde entrava em campo contra o Volta Redonda, motivada pelo terceiro lugar no Paulistão daquele ano.

No entanto, jogando no esquema ‘roleta russa’, que virou piada nacional na mídia esportiva, onde todos atacavam e defendiam, a Briosa não foi páreo, perdendo por 4 a 0. Neno levantando o ingresso daquele confronto, direcionou sua revolta ao treinador Israel de Jesus: “Vou guardar isso aqui pelo resto da minha vida, para lembrar sempre da vergonha que foi essa palhaçada!”.

Ao notar a falta de arquivos dentro do próprio clube, Aguinaldo começou a pesquisar e juntar jornais, em busca de referências à Portuguesa Santista. Hoje, assume não ter noção total do tanto que possui, mas sabe que sua coletânea não cabe mais na segurança de seu lar. “Tive que emprestar alguns itens para o Carlos (colega da torcida) guardar na casa dele”.

Neno é esperançoso e planeja levar à nova diretoria um projeto para instalar os principais elementos de seu arquivo nas salas do clube. “Não quero que seja um Memorial, até porque não tem coisa para isso, mas que seja uma referência para os torcedores e mesmo para os curiosos”.

Hoje, seu grande objetivo é aumentar a torcida através de uma iniciativa nas escolas municipais da cidade. “Com uns cem ingressos, consigo ir aos colégios e motivá-los a ir aos jogos”.


O CÉLEBRE TORCEDOR

Caminhar com Aguinaldo Pereira Costa pela sede da Associação Atlética Portuguesa é como estar ao lado de uma autoridade. A cada passo, um "Oi! E aí, garoto, como vai? E a torcida?". Apesar dos quase 46 anos, perto de boa parte dos freqüentadores do clube, Neno é realmente um menino. Dentre aqueles que lhe distribuíam sorrisos e cumprimentos, destacava-se "seo" Renato, que, já beirando os 80 anos, é considerado por nosso personagem o torcedor "mais fanático" da Briosa.

As crianças que por lá brincavam também sorriam quando Aguinaldo se aproximava. "Ué, cadê a camisa da Portuguesa? Vai lá colocar!", disse a uma dupla de meninos de 6 anos.

Aguinaldo é querido por todos no clube. "Digamos que sou bastante respeitado, por meu posicionamento nas reuniões e pelas iniciativas que assumi em prol do time". E respeito nem sempre é sinônimo de amizade. Pelo contrário: muitas vezes, significa rivalidade. É o caso de seu relacionamento com o jornalista Cesar Neto, assessor de imprensa da Portuguesa Santista — que, quando procurado pela reportagem de Caça Histórias para falar sobre o clube, nunca chegou a respondeu aos contatos; ou ainda com o radialista e conselheiro Orlando José, com quem discutiu na ocasião em que o site novo da Briosa foi lançado, em 2006. "Ele e eu não conversamos mais desde então. Foi uma briga feia, mandei-o inclusive para aquele lugar!", relembra.

Com ex-jogadores que ainda freqüentam a agremiação, o relacionamento varia. O mais próximo a Neno é Zinho, considerado o principal atleta da equipe de 2001 e ídolo até hoje da torcida.

Era uma vez...


O COLECIONADOR DE HISTÓRIAS


Ele guarda de tudo. Um pedaço de telha pode ser a peça que faltava para chegar a uma verdade escondida no tempo. Como um Sherlock Holmes dos trópicos, Waldir Rueda desvenda mistérios com o que muitos jogam no lixo

Por Mary Hellen Botelho


Há quatro décadas e dois anos ele conseguiu juntar um acervo histórico e bibliográfico de deixar qualquer pesquisador de boca aberta. Personalidades como Antônio Emmerick, Braz Cubas e Vitálico Leal dividem o espaço de seu escritório. Dono de materiais que contam a história de Santos, ele guarda tudo que possa servir de base para argumentações e exigências feitas perante o Poder Público.

Desde criança coleciona de tudo, sentia pena de jogar as coisas fora. Moedas, postais, fotografias, jornais. Foi este sentimento que o tornou um historiador polêmico, daqueles que compram briga com autoridades em nome do patrimônio histórico. Muito antes de ter formação profissional, Waldir Rueda já era reconhecido na cidade como “um verdadeiro lixeiro”, afirmação que faz em meio a gargalhadas. Nas festas de Iemanjá e de final de ano, Waldir vendia velas usadas e o que arrecadava era usado para pesquisa e os objetos que comprava.

Seu faro é aguçado. Rueda é um verdadeiro caçador de histórias, daqueles que se vê em filme, lendo arquivos empoeirados na tentativa de decifrar o que está escrito.

Graças ao historiador, a sepultura do médico Vitálico Leal é reconhecida como patrimônio histórico devido às suas características arquitetônicas. Foi em uma visita a um antiquário que Waldir viu a foto do médico e a associou ao quadro localizado no terceiro andar da Santa Casa de Misericórdia de Santos.

O responsável pela loja lhe deu duas fotografias e uma placa que indicava a função exercida em um consultório no Centro Histórico: parteiro. Após compreender o papel do médico em Santos, Rueda entrou com pedido de tombamento da sepultura.

Acervo Materiais de construção também fazem parte de sua rotina de pesquisador. Quando há demolições, reformas ou mudanças, lá vai ele em busca de alguma coisa que tenha valor histórico, nem que seja para pegar um tijolo, telhas ou azulejos. É isso mesmo, ele coleciona alguns destes materiais e os exibe com orgulho, mostrando que possui anúncios de alguns fabricantes destas peças em jornais de época.

Certa vez, Waldir adquiriu um tijolo que servia como peso de porta em um estabelecimento comercial. Foi o dia inteiro carregando a “peça” que pesa cerca de um quilo. À noite, apesar das dores na coluna, Waldir chegou em casa orgulhoso por levar consigo mais um “pedaço da história”.

Colecionador fanático de jornais, Rueda não esconde a quantidade de exemplares raros que guarda em sua casa. A primeira edição do extinto Cidade de Santos e exemplares da década de 30 de A Tribuna fascinam qualquer pessoa que visite seu escritório.

Parte de sua biblioteca foi adquirida em antiquários. O restante ganhou de amigos que conhecem esta paixão do professor de história da rede pública santista. Há de tudo um pouco em seus arquivos, como um capacete dos combatentes de 32, uma lata de café confeccionada em Santos e um exemplar original do livro de poesias de Joaquim Xavier da Silveira, publicado há 100 anos.

BRAZ CUBAS

“É com Z mesmo e sem acento, olha aqui o documento ditado pelo seu filho, Pedro Cubas, antes de morrer”. A crítica serve como um “puxão de orelhas” bem-humorado a quem usa a grafia Brás. O fundador de Santos foi o alvo principal de sua curiosidade desde o período em que cursava História na Universidade Católica de Santos, em 2003.

Foi um desafio lançado por sua ex-professora, Wilma Therezinha Fernandes de Andrade, que o fez desenterrar a verdadeira história do ilustre personagem. Obstinado, provou que todas as teses levantadas a respeito de seus restos mortais estão equivocadas.

Seis anos de pesquisas lhe renderam o livro Braz Cubas: Homenagem a uma vida. Com todos os argumentos fundamentados em provas oficiais, a obra concretizou a credibilidade do historiador e lhe rendeu, no início deste ano, o Diploma de Gratidão concedido pela Câmara de Santos durante a comemoração do aniversário da cidade. Atualmente, ele se dedica a seu segundo livro: histórias sobre os bondes santistas.

Tocar violino é outra grande paixão na vida de Waldir. Ele ainda dedica parte de seu tempo para o estudo da música e embala a vida com a canção Fascinação.