quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Memória . Parte2


SAÍDA DE CENA INICIA MOMENTOS TRISTES


Por Lincoln Chaves


As eleições de 1992 se aproximavam. Será que Zé Macaco se candidataria novamente? As chances dele eram remotas, visto seu desempenho quase nulo na Câmara. Então, Maneco e seu irmão Nenê deram início ao pedido de aposentadoria de João Vicente. Era uma saída para que obtivesse uma fonte de renda com o término de seu mandato e o fim da carreira política.


A desculpa para a aposentadoria era um problema na rótula de seu joelho direito, atingida pela artrose. “Para subir escadas ele necessitava se apoiar em alguém ou no corrimão. Não conseguia mais caminhar sozinho”, recorda Maneco.


Depois de idas e vindas de São Paulo, onde realizou vários exames, veio a constatação médica de que Zé Macaco não mais tinha condições de trabalhar. Em setembro de 1992 foi licenciado do cargo de vereador, obtendo a aposentadoria após três anos e nove meses de trabalho na Câmara. Ainda assim, até o dia 31 de dezembro daquele ano, João Vicente estaria representado. Quando Mauro Fernando Zannin assumiu em seu lugar, Filomena, mulher de Zé Macaco, foi nomeada a assessora do novo vereador.


Filomena seria o personagem principal do momento mais triste da vida de João Vicente, em janeiro de 1993. Na ocasião, Zé e Filomena tiveram forte discussão durante um baile na danceteria Mingo Show, na Rua Júlio de Mesquita, onde ele se apresentava como exímio dançarino. O motivo: uma japonesa com quem Zé Macaco dançara.


Irada, Filomena brigou com o marido, saindo irritada do bar. Na esquina da rua com a Avenida Senador Feijó, veio o desastre: um carro acabou atingindo a mulher de Zé Macaco. Mesmo com o problema no joelho, ele correu e se atirou para tentar salvar a esposa. “Ver a dona Filomena ali, deitada, imóvel, e o Zé daquele jeito, depois do fato, foi desolador”, recorda Maneco, com os olhos começando a marejar.


Dali em diante, Zé Macaco tentou se recuperar. Aos 60 anos, voltou a fazer aquilo que o projetou na Cidade: suas propagandas para lojas no Centro. Novamente montado em uma bicicleta e com seu alto-falante, João procurava seguir com sua vida, e, como declarou em entrevista para A Tribuna, não queria ser esquecido pelos santistas.


No dia 4 de novembro de 2006, aos 73 anos, Zé Macaco veio a falecer. A causa da morte não foi divulgada, mas sabe-se que seu corpo foi sepultado no Cemitério de São Vicente. Ele foi lembrado na Câmara, quando o então presidente Paulo Gomes Barbosa cancelou a sessão do dia 6, em razão de seu falecimento, e também por amigos e por políticos como o vereador Ademir Pestana, que, em artigo divulgado por e-mail, despediu-se: “Boa viagem, companheiro Zé”.

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